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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Esquecimento

-Esquecer uma mulher é algo que requer seu próprio tempo, Jesse. É como o tempo de crescimento das unhas. Você pode fazer o que quiser, tomar calmantes, conhecer outras garotas, frequentar a academia, não frequentar a academia, beber, não beber, nada parece fazer muita diferença. Nada disso faz as coisas passarem mais rápido.

Trecho do livro O Clube do Filme, de David Gilmour

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Argumento

[...]
-O que eu quero dizer é que não tem problema nenhum em ir pra cama com uma idiota, mas jamais tenha um filho com ela
Isso o fez calar a boca

Trecho do livro O Clube do Filme, de David Gilmour

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Reencontro

Não era uma viagem longa, apenas dez ou quinze minutos, mas eu já tinha feito aquele percurso tantas vezes que ficava terrivelmente entediado, e lamentei não ter levado um livro para ler. Olhava para meu reflexo no vidro da janela, para os outros passageiros que entravam e saíam, para os túneis, e de repente quem vejo? Paula Moors. Ela estava sentada de frente para mim, cinco ou seis fileiras adiante, no memso vagão do metrô. Não sabia há quanto tmepo estava ali, nem em que estação havia embarcado. Olhei seu rosto por um momento, o nariz agudo, a arcada proeminente (alguém me dissera que ela colocara aparelho). O cabelo estava mais comprido agora, mas, de resto, não havia mudado tanto, desde a época em que me dissera aquelas palavras terríveis: "Acho que não estou apaixonada por você." Que frase! Que escolha de palavras!
Durante seis meses, talvez um ano, já não lembro, senti sua falta com a aflição de uma dor de dente. Tínhamos cometido tantas intimidades no meio da noite, tinhamos dito tantas coisas secretas, e agora estávamos ali, nós dois, calados, no memso vagão do metrô. O que teria um sabor trágico quando eu era mais jovem - mas que agora precia, sei lá, um fato normal da vida. Nada fantástico, nem indecente, nem engraçado, apenas algo comum: o mistério de alguém entrando e saindo da nossa vida, afinal, desmistificado. (Essas pessoas acabam indo para algum lugar.)

Trecho do livro O Clube do Filme, de David Gilmour

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Primeiro contato

Então eu disse a Jesse, ou melhor, repeti, uma coisa que tinha aprendido na universidade: que a segunda vez que você vê uma coisa é na verdade a primeira vez. Você precisa saber como a coisa termina antes de poder apreciar sua beleza desde o início

Trecho do livro O Clube do Filme, de David Gilmour

domingo, 10 de outubro de 2010

Circunstâncias

Alguns filmes são decepcionantes quando revistos; você devia estar apaixonado ou com o coraçaõ partido, devia estar magoado com alguma coisa quando assistiu pela primeira vez, porque depois, vistos com uma perspectiva diferente, eles não têm nenhuma mágica.


Trecho do livro O Clube do Filme, de David Gilmour

sábado, 9 de outubro de 2010

Beatles

Tinham qualidade extraordinária, apesar da popularidade histérica da banda, de fazer você se sentir como se fosse o único a comprender como eles eram bons, como se, de algum modo, eles fossem sua descoberta particular

Trecho do livro O Clube do Filme, de David Gilmour

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sobre "O Clube do Filme"

Uma amiga minha, apaixonada por cinema, me indicou ler O Clube do Filme há alguns meses. Ná epoca, me interessei porque também gosto muito de cinema, mas não fui logo atrás do livro pois pensei que se tratava de uma colação de sinopses intercaladas com trechos de uma história de família, e na época haviam outros livros que me interessavam mais. Eis que há dois dias eu estava numa livraria procurando um presente para uma outra amiga e me deparo com O Clube do Filme (2007, Editora Intrínseca), folheei, achei mais interessante do que eu imaginava e comprei o Clube do Filme para mim e um outro livro para dar de presente. Valeu muito a pena!
O livro é autobiográfico, nele, o canadense David Gilmour (nada a ver com o do Pink Floyd), hoje crítico de cinema e apresentador de televisão, conta a experiência que teve ao propor a seu filho, Jesse, estudante do ensino médio, desinteressado pela escola, que parasse de ir ao colégio, sem precisar trabalhar ou pagar aluguel, a única condição: assistirem juntos três filmes por semana (coisa que jamais passaria pela cabeça dos meus pais). Gilmor não tem muita certeza da eficácia de seu plano, teme que seu filho se torne um adulto frustrado, mas, para evitar que Jesse se afaste dele e se torne um adolescente revoltado, prefere dar continuidade à proposta. No decorrer da narração, os dois tomam várias decisões importantes, têm lembranças e fazem planos, Jesse se apaixona, Gilmor vê sua carreira oscilar. No meio de todos os acontecimentos assistem, comentam e debatem sobre dezenas de clássicos do cinema (a maioria americanos, alguns canadenses). Lendo fiquei com vontade de assistir todos os filmes na ordem em que são citados. Por isso a maioria das notas no meu ultimo marca-páginas são títulos de filmes, nenhuma das duas filmografias no livro está na ordem de citação.
Um livro que dá origem a ótimas imagens, questionamentos e informação sobre cinema e literatura, além da sensibilidade e maturidade com que trata da relação famíliar entre pai e filho, pais divorciados e aos envolvimentos amorosos de ambos.