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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sobre "Blecaute"

Há muito tempo, acho que era Dezembro do ano passado, durante uma conversa com um amigo, acabamos chegando ao tema “livros realmente bons”, aqueles onde a trama prende, a narrativa flui e ainda te tiram daquela rotina mental de pensar sempre nas mesmas situações. Ele me falou de um desses títulos. Começou a ler à noite, num ônibus, era o início de uma longa viagem que partia de Foz do Iguaçu com destino a São Paulo. Seu pai indicou que lesse o livro mais pra se distrair durante o percurso. Começou a leitura no início da viagem, e depois de uma madrugada inteira na estrada, quando já amanhecia, estava lendo a última página do ultimo capítulo. Fascinando pela história, demorou algum tempo para se acostumar de novo com "o mundo real"
O Título: Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva (a edição que tenho é de 2006, pela editora Objetiva). O livro é a narrado por Rindu, um universitário que durante um feriado, devido a uma forte chuva, fica preso em uma caverna no Vale do Ribeira com Mario, seu melhor amigo, e Martina, uma garota da faculdade. Depois de três dias de tempestade eles saem da gruta, e já estranhando muitas coisas no caminho de volta, chegam a São Paulo e se deparam com todas as pessoas misteriosamente paralisadas, como se tivessem sido congeladas enquanto faziam coisas habituais como trabalhar, dirigir, comer.. Curiosamente também todos os animais continuam vivendo e se movendo normalmente, o vento as chuvas também seguem sua rotina natural. Esses fatos compõem apenas o primeiro capítulo. No decorrer da narrativa os três jovens vão criando meios para sobreviver, se distraírem, e até se divertirem enquanto tentam entender o que aconteceu apenas com eles e parece não ter explicação. O narrador também conta memórias, fala sobre traumas, apresenta teorias e reflexões sobre o sentido das coisas, presente passado e futuro, relações pessoais, etc.
A história foi baseada num seriado antigo chamado Além da Imaginação, e depois de ler o livro fiquei com muita vontade de assistir também, mesmo tendo uma boa dose de ficção cientifica (que no “Blecaute” quase não há) e possuindo mais de 8 temporadas contando com a nova versão.
Quando ele me falou sobre “Blecaute” eu estava com uma viagem marcada para Curitiba, partiria uns quatro dias depois da conversa. Então, no dia seguinte fui em busca do tal livro. Encontrei, comprei, planejei: seis horas de viagem em frente a história que me faria viajar além da estrada. Com a sacola da livraria na mochila, cheguei em casa bem tarde, depois da meia-noite, logo me preparei pra dormir, teria que acordar cedo no dia seguinte. Já deitada olhei para a mochila, levantei, peguei o livro, li a contra capa, as informações das “orelhas”, folheei algumas páginas, e comecei a ler o primeiro capítulo, não havia mais volta, às 3h da manhã percebi que já tinha lido metade do livro e o tempo passou voando. Eu não ia conseguir dormir sem o fim da história na cabeça, já estava amanhecendo quando cheguei na página onde Marcelo Rubens pede ao leitor que fique meia hora sem ler o livro. Obedeci, já eram 6 horas da manhã, eu precisava me arrumar para sair. Li o ultimo capítulo no caminho, de pé no vagão do metrô. Na tarde desse mesmo dia, tive que passar pela Av. Paulista, ela já não era a mesma, imaginava o asfalto vermelho, as pessoas “congeladas”, procurei os lugares descritos, lembrava deles, mas depois da história, tinham outro significado para mim. Quem leu Blecaute sabe como é essa sensação.
Acabei lendo outro livro durante a viagem para Curitiba, não lembro exatamente qual, mas não acho que isso seja relevante.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sobre "O Clube do Filme"

Uma amiga minha, apaixonada por cinema, me indicou ler O Clube do Filme há alguns meses. Ná epoca, me interessei porque também gosto muito de cinema, mas não fui logo atrás do livro pois pensei que se tratava de uma colação de sinopses intercaladas com trechos de uma história de família, e na época haviam outros livros que me interessavam mais. Eis que há dois dias eu estava numa livraria procurando um presente para uma outra amiga e me deparo com O Clube do Filme (2007, Editora Intrínseca), folheei, achei mais interessante do que eu imaginava e comprei o Clube do Filme para mim e um outro livro para dar de presente. Valeu muito a pena!
O livro é autobiográfico, nele, o canadense David Gilmour (nada a ver com o do Pink Floyd), hoje crítico de cinema e apresentador de televisão, conta a experiência que teve ao propor a seu filho, Jesse, estudante do ensino médio, desinteressado pela escola, que parasse de ir ao colégio, sem precisar trabalhar ou pagar aluguel, a única condição: assistirem juntos três filmes por semana (coisa que jamais passaria pela cabeça dos meus pais). Gilmor não tem muita certeza da eficácia de seu plano, teme que seu filho se torne um adulto frustrado, mas, para evitar que Jesse se afaste dele e se torne um adolescente revoltado, prefere dar continuidade à proposta. No decorrer da narração, os dois tomam várias decisões importantes, têm lembranças e fazem planos, Jesse se apaixona, Gilmor vê sua carreira oscilar. No meio de todos os acontecimentos assistem, comentam e debatem sobre dezenas de clássicos do cinema (a maioria americanos, alguns canadenses). Lendo fiquei com vontade de assistir todos os filmes na ordem em que são citados. Por isso a maioria das notas no meu ultimo marca-páginas são títulos de filmes, nenhuma das duas filmografias no livro está na ordem de citação.
Um livro que dá origem a ótimas imagens, questionamentos e informação sobre cinema e literatura, além da sensibilidade e maturidade com que trata da relação famíliar entre pai e filho, pais divorciados e aos envolvimentos amorosos de ambos.